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Marta Moneo

Pós-graduada em A Psicanálise do Século XXI, pela Fundação Armando Alvares Penteado (Faap); Pós-graduada em psicanálise, pela Faculdade Álvares de Azevedo (Faatesp); Formação em psicanálise, pelo Centro de Formação em Psicanálise Clínica Illumen, com sede em São Paulo desde 2010. Outras formações acadêmicas: graduação em administração de empresas, pela Faculdade Ibero-Americana; graduação em letras, pelo Instituto Municipal de Ensino Superior (Imes) Catanduva; Leciona psicanálise, atua como analista didática e supervisora na preparação psicanalítica de alunos do Illumen. Atua na clínica psicanalítica desde 2017, com maior direcionamento ao público infanto-juvenil e adolescente.
31/5/2024

A distância entre a coragem e a covardia

Escrevo agora sobre o que vingou de um bate-papo informal com amigos de profissão. Na inquietude de nossos porões mentais fluem sensações que, aliadas a arquivos indeléveis, pescam no tempo sem tempo do tempo as mais remotas recordações.

Dentre as tantas mencionadas em conversa sobre a seara televisiva (na ciência de que tal adjetivo leva ao mais antigo de mim), uma insistiu em rodear e pernoitar no pensamento, presentificando no lobo (a)temporal que me habita, e na plenitude do duplo sentido, muitas veredas... umas delas, a da faceta da ingenuidade.

Marta Moneo
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Reflexões sobre como a ingenuidade e a sagacidade moldam nossas vidas.
19/5/2024

Falta de engajamento transforma inclusão em marketing educacional

A inclusão em seu revés

Nas tantas andanças pelos campos da prática clínica, seguimos colhendo enredos distintos e repletos de vivências desafiadoras que, ao aportarem no consultório, exigem extremo cuidado de quem se disponibiliza à escuta. Requisitam ainda maior zelo ao chegar por intermédio de vozes maternas exaustas, cada qual em visível desorientação ante a angustiada procura por saídas ou qualquer lenitivo ao desamparo em que se acham.

Mães que adentram geralmente sozinhas a sala em que seus prantos não mais suportarão o represamento da mágoa em não serem compreendidas nos seus lamentos e em suas dores ante a impotência.  

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2/5/2024

Mito de Níobe ajuda a decifrar comportamentos egocêntricos

O orgulho sob um olhar mitológico

Em atendimento recente, certa paciente apresentou sua dúvida sobre egocentrismo e narcisismo pois, por sua lente, enxergava que significavam uma mesma coisa, caracterizando ambos o erro de uma pessoa pensar apenas em si e de agir só levando em conta seus desejos.

Naquele momento, achei pertinente propor a reflexão sobre o sentimento do orgulho e fiz uso de um recurso clínico bastante proveitoso: a metáfora. Recorri à mitologia grega, precisamente ao Mito de Níobe, aquela que teria sido ao mesmo tempo neta de Zeus (enquanto filha de Tântalo com Dione) e uma das noras dele (por se casar com Anfião, filho de Zeus com Antíope).

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18/4/2024

'O Jardim Secreto' é uma jornada de dor, crescimento e redescoberta

O Jardim Secreto de cada um

Ciente da infinita capacidade em guardar informações fora do campo consciente – onde nossas memórias brincam e adormecem –, deixo vir à mente um enredo de recorrente retorno, em especial na clínica, quando submeto-me a temas angustiantes: perda, abandono, mágoa, trauma e somatizações. Nesse meu lembrar, a reminiscência costuma recuperar trechos e lições do livro O Jardim Secreto, clássico da literatura infanto-juvenil, datado de 1911 e escrito por Frances Hodgson Burnett.

Pioneira em evidenciar crianças como protagonistas, o texto retrata a orfandade precoce de uma menina de dez anos, Mary, e seu primo de mesma idade, Colin, e como elas lidam, cada qual do seu jeito, com a dor de se verem sozinhas, ainda que não formalmente abandonadas.

Por que é importante
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"O Jardim Secreto", de Frances Hodgson Burnett, narra a jornada de Mary e Colin, crianças que enfrentam traumas e solidão após perdas devastadoras.
4/4/2024

E o monstro ainda mora aqui dentro: uma distinção sobre medo e fobia

E o monstro ainda mora aqui dentro: uma distinção sobre medo e fobia

É comum a aparição, no consultório, de questões vinculadas a estados de angústia permeados por sensações de insegurança diante de objetos, sejam eles reais ou imaginários – para a psicanálise, objeto se refere a tudo que está fora do sujeito, em seu entorno, como pessoas, coisas e sistemas (profissional, familiar, de ensino, entretenimento etc.).

Tal vulnerabilidade também tende a ocorrer frente a conteúdos de repercussão interna, como doenças ou vivências conflitivas: lutos, traumas, pesadelos/insônias, mágoas, ideações neuróticas, decisões, testes, depressão/ansiedade excedentes, impotências, entre outros.

Marta Moneo
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Autora aborda a distinção entre medo e fobia sob a ótica da psicanálise. Enquanto o medo atua como um mecanismo de proteção saudável, as fobias representam respostas desproporcionais a perigos não reais.
21/3/2024

A ventura do chiste

Agressão escolar no Paraná: entre chistes e traumas

Norteada pela crença de tempos mais sensíveis, cravo que a violência nunca foi, continua não sendo e jamais se fará, apesar das muitas frestas pelas quais ela possa se embrenhar, o método adequado ao alicerce dos processos de socialização e desenvolvimento educacional do sujeito de desejos.

Sem se ater à origem, toda fonte de agressão requer de todos especial atenção; e, muito mais, daqueles que se debruçam na mureta do cotidiano escolar, em função dos desajustes emocionais e psíquicos verificados em falas e condutas dos diferentes personagens do cenário acadêmico – desajustes em sua maioria nascidos nos quatro cantos da estrutura familiar e a vazarem aos canteiros da quadra escolar.

Marta Moneo
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Uma professora do Paraná usou fita adesiva para silenciar alunos, levantando questões sobre violência e métodos educacionais. O ato destaca a necessidade urgente de revisão das práticas disciplinares nas escolas, visando uma educação que promova o desenvolvimento saudável e empático das crianças.
7/3/2024

Raios e trovões!

Brincar se revela chave para o desenvolvimento, ensina Castelo

"Raios e trovões!". Expressão saudosa, essa! Virou bordão a quem igualmente fez morada no fabuloso Castelo da tevê Cultura, nos idos da década de 90. Lá havia um Nino menino que, em seus 300 anos, nunca crescia e de quem vertia tanto a traquinagem e alegria dos ingênuos como, em contrapeso, certa habilidade ao equilíbrio e discernimento. Aprendiz de feitiçarias, seus pais nunca estavam presentes por viverem pelo espaço – como muitos – sem tempo ao interdito ou a acolhidas. Biba, Zeca e Pedro felizmente juntavam-se a ele, tirando-o da solidão às brincadeiras.

Nas torres empoeiradas, a destemperada bruxa Morgana articulava a voz em impropérios e ameaças, reinando plena no Rá-Tim-Bum; emparelhava, nas artimanhas da magia, ao "Salagadula Mexegabula Bibidi-Bobidi-Boo", cantarolado muito antes pela atrapalhada fada de Cinderela. Sob doces melodias, encantos e bruxedos, a infância dos grandes e dos pequenos seguia fortalecida e espontânea, num tempo outrora de muitas risadas, travessuras e diversão.

Marta Moneo
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Colunista traça um paralelo emocionante entre a mágica infância proporcionada pelo Castelo Rá-Tim-Bum nos anos 90 e as mudanças na percepção e vivência da infância na atualidade.
22/2/2024

O sinuoso percurso do auto-saber

Singularidade e aceitação se entrelaçam em jornada pessoal

Tomo como tema uma questão intrigante com a qual cada um de nós tem de operar ao longo da vida: nossa esquisitice. E sei que versar sobre isso soa muito bizarro! A estranheza intrínseca do ser, contudo, é a responsável por nos denominar ao Outro, queira-se ou não.

Falo dessa tal singularidade a extravasar do dentro para o fora, de mim para algo além, e a repercutir interpretações no alheio. Somos lidos o tempo todo por olhares não pertencentes, estrangeiros... a despeito de nosso querer – o que quase sempre acirra o mal-estar diante do convívio – nesse eterno embate entre as enraizadas pulsões arcaicas e o regramento social, a nos cercar/cercear no vai-e-vem das relações. Por isso negociar o que de mim emerge, aquilo que na maioria das vezes eu sequer sei, com a impressão causada a terceiros, requer a todo tempo o regresso do Eu (passo a passo construído no compasso dado por discursos disjuntos) a um pensar ensimesmado.

Marta Moneo
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Explorando a esquisitice e o autoconhecimento, a colunista reflete sobre a singularidade como essência da identidade. Ela conta a história de uma jovem em busca de aceitação.
9/2/2024

Suicídio: uma enganosa ponte

Freud explica: a pulsão de morte e o desejo de não desejar

No ambiente das funções cerebrais – isso que nominamos mente – há uma espécie de lugar hábil em projetar sonhos, idealizações e possibilidades aos intentos humanos, uma vez sermos seres desejosos, ávidos em pretensões, buscas e sentidos. Vez ou outra tal espaço se acha dentro da realidade compartilhada; outras vezes é a realidade psíquica que engenha pontes de acesso para o sujeito e seus quereres.

A questão doída se levanta quando, diante de insucessos (financeiros, afetivos, profissionais, ante a socialização, frente à comparatividade em relação à estética, fama e felicidade fácil), do olhar fragilizado por si mesmo (baixa autoestima, sentimentos de inferioridade ou de abandono, traumas, bullying, lutos, doenças, mágoas etc.) ou movido pela vingança (pulsão de morte, ira, teima, revolta, revide), o indivíduo se distancia e se perde das tantas travessias – das imaginadas e das simbolizadas – desenvolvendo, em seu desencanto, o desejo de partir pelas próprias mãos.

Marta Moneo
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Artigo mergulha nas profundezas da mente, e discute a pulsão de morte, o suicídio e as complexidades da psique humana à luz da psicanálise.
25/1/2024

A problemática digital no reduto dos dedos

Lazer digital se torna ameaça à saúde mental, apontam estudos

A evolução tecnológica propicia, de modo surpreendente, o acesso a fartas e diversificadas realizações no campo das necessidades protetivas e de valorização, ora atendendo a urgências a nós inerentes, ora àquelas nem tanto.

E sobre estas, destaco as demandas vindas da intensa, fácil e acessível oferta ao envolvimento em jogos de entretenimento online, hábeis em capturar o sujeito à viciação, em especial a quem se encontra nas fases iniciais do desenvolvimento (biológico, psicoemocional, cognitivo e social) como a quem transita pela singular e vulnerável construção identitária no tempo de adolescer.

Marta Moneo
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Artigo discute os riscos associados a esses jogos e a necessidade de medidas preventivas e de conscientização.