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Maku de Almeida

Analista transacional. Escreve aos domingos.
7/7/2024

Feridas do abandono encontram cura no poder do amor

Inadimplência emocional: os impactos do abandono

Cada abandono gera trauma e dívida. O abandonado lidará com esta dor, que, não tratada, poderá acompanhá-lo pela jornada inteira da vida. Aquele que abandona adquire uma dívida, que mesmo negada, lá estará, acumulando-se em pilhas e pilhas de afeto negado, cuidado negado, segurança negada, estímulo negado, validação negada. Diferentes dimensões da inadimplência emocional.

Quero dialogar a respeito do abandono parental, mas qualquer abandono tem potencial gerador de dor e dívida. Ou seja, em qualquer época será muito duro lidar com abandono, mas nada será comparado com o dano causado a uma criança quando é abandonada pelos seus genitores ou cuidadores.

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23/6/2024

Aspectos ocultos da mente moldam nossa jornada pela vida

Os subterrâneos da mente, uma Via Crúcis

Aspectos de mim que não conheço alicerçam minha jornada pela vida. É quase assustador pensar que, dos recônditos da minha mente, o que não conheço estimula minhas reações ao viver.

Alguns desses fatores se perderam na memória ou se escondem com eficiência. Outros, enterrei deliberadamente. Muitos arranham a superfície da consciência e quase se apresentam. Outros estão submersos profundamente e sei que, mesmo das sombras, sabotam e desestabilizam meus meios e modos de gerenciar a vida.

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9/6/2024

Relacionamentos trazem luz, sombras, e vínculos significativos

Vínculos e violência

Todos os dias, com maior ou menor abrangência, um aprendizado. Às vezes, uma ampliação de consciência através do estudo. Outras vezes, a observação das pessoas e suas interações oferece informações muito ricas. De vez em quando, uma nuvem sombria possibilita incremento do meu repertório de respostas. E, em quase todas as vezes, aprendo nos diálogos nos quais me envolvo. Eles me trazem luz. A caminhada é rica.

Tenho plena consciência de que esse aprendizado, longe de ser romântico, é originado em uma decisão de consciência. De estar presente, de acionar escolhas diferenciadas em momentos distintos.

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2/6/2024

Atenção focada revela o que realmente importa na vida cotidiana

Viver fora do fluxo automático

Quando as coisas estão seguindo seu fluxo normal é difícil perceber o que de fato importa. O que de verdade importa demanda atenção focada, pois são coisas pequeninas, que escapam do brilho frio da comercialização. Quase como se fosse um atributo de sobrevivência, nós os viventes tendemos aos padrões que se repetem. A repetição emprestar ao desafio do viver uma previsibilidade que tangencia a segurança. Tangencia, passa perto, mas de verdade a não previsibilidade é companhia fixa desta aventura humana.

À nossa volta se revezam múltiplos vetores não controláveis, fora das nossas mãos e, muitas vezes, fora da nossa capacidade de absorver, interpretar e internalizar. O que significa, superficialmente, que deveríamos minimamente desconfiar das nossas certezas.

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26/5/2024

Relacionamentos humanos são nutridos de encontros livres

O que de fato importa

Quando somos espectadores da coreografia sagrada de um relacionamento humano fluido, enxergamos o resultado e sempre parece mágico. É bem comum, neste momento de encantamento, a idealização, como se o acaso houvesse reunido aqueles seres e sua afinação tivesse surgido espontaneamente. Do nada. Sem esforço algum.

Assim como as grandes árvores, o relacionamento entre humanos surge a partir de uma semente. Pequena e frágil, sozinha nada faz. Sua simplicidade e quase invisibilidade contêm um universo.

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19/5/2024

Compreender o passado ajuda a construir um presente consciente

Eu e minhas circunstâncias à busca de propósito

Uma sequência de decisões me trouxe até aqui. Nem todas foram boas ou sensatas. Algumas foram realmente muito ruins. Gosto muito deste "aqui" e fico tentada a pensar: eu chegaria até aqui por outro caminho? Há coisas que ainda quero iluminar. Não me falta coragem. Mas há grandes e sensacionais conquistas. Portanto, gratidão ao aqui. Pois o lá já virou pó.

A respeito disso, um filósofo espanhol que eu aprecio sem moderação, José Ortega y Gasset, em seu livro Meditaciones del Quijote, diz: “eu sou eu e minha circunstância e se não salvo a ela, não salvo a mim".

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12/5/2024

Humanos lutam com o medo e a necessidade de mudar

Nós não somos borboletas!

Mudança é uma palavra pequena, até sonora, que esconde desconfortos alguns quase despercebidos. E é também símbolo de pelo menos um paradoxo: mudar gera oportunidade de movimento, expansão e até desenvolvimento, mas apresenta o risco, maior ou menor, de sair do previsível para o não previsível.

As reações serão proporcionais às experiências vivenciadas com mudanças por cada pessoa. Cada pequena mudança colaborando na formação de um repertório de enfrentamento às situações. A tendência, de boa parte de nós é a manutenção. De horários, caminhos, alimentos, formas e maneiras de tomar decisão, manejo de erros e abordagem aos conflitos, dentre outras coisas. A busca por uma razoável previsibilidade é quase automática, pois a sensação de segurança depende em algum grau de saber onde estou e para onde vou.

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5/5/2024

Permitir que outros existam começa com a compreensão de si mesmo

A mentora e o Grilo Falante

Sou mentora e meu trabalho é mediar o processo de desenvolvimento dos meus clientes. Encontrar a si mesmo, entender os diferentes papéis e os impactos de si nas outras pessoas e das outras pessoas em si, faz parte desta caminhada.

A beleza da caminhada de uma mentora é acompanhar o relato, entender a história e olhar o mundo através dos olhos da pessoa à minha frente. Uma missão delicada, que envolve profundo respeito e reverência aos diferentes momentos da vida da pessoa.

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26/4/2024

Da chegada à despedida, como grupos humanos lidam com o fim

Chegadas e partidas nos grupos

Dizer Olá e dizer Adeus são dois momentos tão delicados e tão complexos para nós seres humanos. Quando a convivência que se apresenta é em um grupo, podemos multiplicar tal complexidade pelo número de pessoas que ali estão.

Chegamos a qualquer grupo com nossa mochila de vida cheia de experiências, fantasias e expectativas. Olhamos à nossa volta buscando entender quem é quem, nosso cérebro fazendo conexões, checagens e combinações frenéticas. Aspectos que lembramos e aqueles dos quais não lembramos vão costurando uma ideia do que será nossa vida junto com aquelas pessoas. As pessoas ainda serão percebidas de modo indeterminado, mais conectadas as lembranças de quem percebe do que à realidade.

Por que é importante
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Texto desvenda os intrincados momentos de chegada e despedida em grupos, destacando as emoções e dinâmicas sociais envolvidas.
20/4/2024

Tarde agitada em Congonhas revela duas faces de um gestor

O médico e o monstro versão corporativa

Aeroporto cheio, no meio da tarde em São Paulo. Em Congonhas, o “andar de baixo” é bastante distinto do “andar de cima”. Desde o espaço propriamente dito até a disponibilidade de cadeiras e cafeterias (o lenitivo mor dos viajantes cansados). Barulhos, pessoas inquietas, filas, correrias – chamados aqui e acolá, alguns simultâneos – uma espécie sofisticada da antessala do inferno.

Com meu livro na mão, corro o olho para descobrir um cantinho para esperar. Estava bem contente, pois em um atendimento muito gentil, havia conseguido antecipar meu voo. Alma leve e os ouvidos protegidos por música, fui à caça de uma cadeira... Quase apostei que conseguiria. O dia estava caminhando de modo especialmente fluido. A mentora que habita minha alma estava nutrida pelos diálogos com pessoas sensacionais com as quais interagi nestes últimos dias.

Por que é importante
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Cena no aeroporto de Congonhas expõe gestor alternando entre encorajamento à sua equipe e rudeza com estranhos, impactando observadores.