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Opinião

Relato de experiência em monotipia com placa de gel para a Exposição Dez Oitava

Uma experiência em monotipia com placa de gel para a exposição Dez Oitava, realizada em 2020 no Espaço de Arte Francis Bacon — Museu Egípcio, em Curitiba.Uma experiência em monotipia com placa de gel para a exposição Dez Oitava, realizada em 2020 no Espaço de Arte Francis Bacon — Museu Egípcio, em Curitiba.
Ana Paula Picolo
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Acervo pessoal
Monotipias com Gelli® Printing Plate.
Gracon
24/11/2023 9:07

Conforme o Programa Saber Museus – Caminhos da Memória, do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), o processo de criação de uma exposição desenvolve-se em três etapas: antes, durante e depois da exposição. Os procedimentos do antes envolvem a definição do local e data da exposição, sua duração, o público-alvo, os acervos que serão mobilizados e os recursos financeiros. Estabelece-se também o conceito da exposição, sua narrativa e identidade visual. Esta parte do processo é feita sob a orientação de um curador, assistido por uma equipe que executa a expografia. Nesta etapa, também se dá a divulgação da exposição. Durante a exposição, colocam-se em prática a montagem, a manutenção e a mediação ou ação educativa. O encerramento, que marca o depois da exposição, corresponde ao momento de desmontagem e de avaliação do trabalho desenvolvido.

As exposições são parte de um sistema de comunicação, com lógica e sentido próprios. Representam e comunicam histórias, tradições, movimentos artísticos, conhecimentos, modos de fazer e viver. O que torna uma exposição fascinante, na maior parte das vezes, é a vitalidade das linguagens colocadas em relação e não tanto o acervo em si.

Na exposição Dez Oitava, que ocorreu no Espaço de Arte Francis Bacon – Ordem Rosacruz Tutankhamon (Amorc) – Museu Egípcio, em Curitiba, o principal objetivo foi promover o reencontro de amigos que tinham se graduado na Escola de Música e Belas Artes do Paraná havia uma década. A exposição abriu ao público em março de 2020, mas, em consequência do início da pandemia de COVID-19, infelizmente, não teve visitação efetiva. Os oito artistas participantes apresentaram obras, produzidas durante uma década de trabalho, com significados particulares. A curadoria de Lucélia D'Roquett e Marcela Lobo facilitou o diálogo e a coesão do grupo.

As gravuras que apresentei nesta exposição foram monotipias criadas a partir de imagens femininas de revistas e catálogos, com dimensões entre A5 e A4, configuradas em séries, totalizando 28 peças. Aprecio a produção em série que utiliza material disponível e acessível. A combinação entre imagens contemporâneas modificadas tecnicamente e o uso de tintas favorece o surgimento de formas e cores que interferem na imagem produto. Interessa-me essa possibilidade de manipular o processo de impressão trabalhando de maneira livre e espontânea.

A técnica da monotipia permite a criação e reprodução de um desenho ou mancha de cor em uma prova única, daí o nome “mono-tipia”. A peça obtida não é um duplo fiel do desenho ou mancha original, pois na passagem para o papel (impressão), as tintas misturam-se, gerando efeitos imprevisíveis e imagens singulares. No meu caso, usei como matriz a Gelli® Printing Plate (placa de gel). Colocava um desenho, recorte ou trabalho gráfico já existente sobre ela, de modo a transferir a imagem para esse suporte. Depois, entintava a superfície da placa com um rolo de borracha e ia removendo a tinta ou, ao contrário, acrescentado. Enquanto a tinta estava úmida, pelo uso de ferramentas como cotonete, algodão, estopa, estêncil, carimbos e objetos com texturas, foi possível criar uma infinidade de padrões. Colocava, então, o papel sobre a placa e o pressionava delicadamente com os dedos. Retirava o papel para revelar a monotipia.

O processo de transferência da imagem para a placa de gel tem início com a aplicação, sobre a placa, de uma camada fina de tinta acrílica. A imagem já existente é posta, então, sobre a placa e permanece em contato com a tinta acrílica por um tempo. Após essa primeira impressão sobre a placa, é necessário esperar sua completa secagem para aplicar tinta novamente e, desse modo, transferir a imagem para outra superfície, de papel ou tecido. A placa de gel permite, ainda, a sobreposição de camadas de tintas, produzindo efeitos maravilhosos para as artes de monotipia, art journal (uma espécie de diário criativo) e manualidades diversas.

Monotipias com Gelli® Printing Plate.

Esta técnica da monotipia em placa de gel foi criada, em 2011, por uma dupla de mulheres norte-americanas, Joan Bess e Lou Ann Gleason. Elas eram apaixonadas por monotipia e artes híbridas e a busca por uma solução eficiente para facilitar a técnica levou-as ao desenvolvimento deste material, que não é perecível: as placas são reutilizáveis e podem ser armazenadas em temperatura ambiente. Elas também são fáceis de limpar e estão sempre prontas para impressão em diversos tamanhos e formatos.

Finalmente, participar da exposição Dez Oitava foi muito gratificante, pois, além de produzir arte, a reunião com o grupo fomentou a produção coletiva em prol da comemoração de seus dez anos de amizade.

Por Ana Paula Picolo.

Última atualização
1/12/2023 9:38
Gracon
Grupo de pesquisa em Gravura Contemporânea da Universidade Estadual do Paraná (Unespar).

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PIB do Brasil registra crescimento de 2,9% em 2023 e atinge R$ 10,9 trilhões

Redação Cidade Capital
1/3/2024 11:52

O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil registrou um crescimento de 2,9% em 2023, totalizando R$ 10,9 trilhões, de acordo com informações divulgadas nesta sexta-feira (1°) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Esse aumento sucede uma expansão de 3% observada em 2022.

O avanço do PIB no último ano foi liderado por um aumento recorde de 15,1% no setor agropecuário, marcando o maior crescimento desde o início da série histórica da pesquisa, em 1995. Os setores da indústria e de serviços também apresentaram crescimentos, com taxas de 1,6% e 2,4%, respectivamente.

Existir através da arte: gravuras ativistas exploram temática LGBTQIAP+

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Gracon
1/3/2024 10:22

Este texto abordará gravuras que tenho realizado desde 2020 na técnica de xilogravura com temática LGBTQIAP+, em repúdio ao elevado índice de mortes desta população em nosso país, que é o maior do mundo.

De acordo com o Grupo Gay da Bahia (GGB) e a Aliança Nacional LGBTI+, por exemplo, no ano de 2021, ocorreu uma morte a cada 29 horas.

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