Corrida para a Prefeitura de Curitiba

Opinião

Quartas de cinzas, outras nem tanto

Explorando o impacto emocional e simbólico da Quarta-feira de Cinzas, entre o fim do Carnaval e o início da realidade cotidiana.Explorando o impacto emocional e simbólico da Quarta-feira de Cinzas, entre o fim do Carnaval e o início da realidade cotidiana.
Arte Cidade Capital
/
Adobe Firefly
Áurea Moneo
16/2/2024 14:46

É certo que o Carnaval, há muito tempo, satisfaz um desejo humano de explorar o mundo de fantasias que nos define. Para muitos, representa um anseio por liberdade, enquanto para outros, é uma incrível chance de relaxamento, um prelúdio para a retomada ou início de projetos novos ou renovados, que esperam o término dessas celebrações iniciadas em dezembro para serem implementados, especialmente aqui, do lado de cá do equador.

Para todos, sem dúvida, seu final marca um período de luto, o fim da festa, um retorno à realidade. Para alguns, é hora de enfrentar a realidade, para outros, um recomeço, aceitando o limite imposto pelo calendário nacional e preparando-se para agir.

Esse marco é carregado de simbolismo. Afinal, existe algo mais significativo do que a imagem de uma Quarta-Feira de Cinzas, sinalizando o verdadeiro início do ano?

E como cada um enfrenta e sobrevive a esse período? O retorno às aulas, o fim das férias, a volta à rotina, a busca por novas oportunidades, as possibilidades são amplas e é impossível ignorar o impacto dessa transição do prazer para a realidade, substituindo as fantasias carnavalescas pelas restrições da obrigação.

Foi assim que vivenciei essa quarta-feira, caminhando pela Avenida Paulista, com a visão embaçada por um exame de retina, observando, apesar da dificuldade resultante do procedimento, alguns já uniformizados e outros ainda relutantes, em trajes carnavalescos ou cambaleando pela calçada, numa tentativa de desacelerar o implacável passar do tempo. Apenas os cachorros, guiados por seus tutores, pareciam tranquilos.

Para mim, foi uma quarta-feira não tão cinza, apesar do céu nublado e dos óculos escuros, depois de afastar o fantasma da herança de degeneração macular que assombra minha família... que bênção, pelo menos por enquanto! Um luto suave por um feriado prolongado.

Bem diferente de sete anos atrás, quando a mesma Quarta-Feira de Cinzas amanheceu poderosa, levando em seus braços meu grande mestre e amigo eterno, meu querido pai, num completo contraste simbólico: o oposto do oposto, a restrição da restrição.

Desde então, a familiar sensação de perdas, algumas mais dolorosas, outras nem tanto, intensificando a ausência da ausência e o constante esforço de buscar prazer, aliviando o peso de muitos lutos, alguns resolvidos, outros pendentes.

Mas a fênix, que renasce das cinzas, continua gloriosa, ainda que chamuscada, e determinada, sinalizando que, apesar da dor que nos espera, há também o prazer de experimentar as delícias da vida, que constantemente nos surpreende, para o bem ou para o mal.

Bem-vindo, 2024, agora pra valer!

Última atualização
16/2/2024 14:46
Áurea Moneo
Pós-graduada em A Psicanálise do Século XXI, pela Fundação Armando Alvares Penteado (Faap); pós-graduada em Psicanálise, pela Faculdade Álvares de Azevedo (Faatesp); Formação em Psicanálise, pelo Instituto Superior de Psicanálise de Brasília. Outras formações acadêmicas: pós-graduada em Marketing, pela Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM); pós-graduada em Administração, pela Fundação Getulio Vargas de São Paulo; graduada em Arquitetura, pelo Mackenzie. Responsável pela gestão organizacional e pedagógica do Centro de Formação em Psicanálise Clínica – Illumen, com sede em São Paulo, desde 2010. Leciona Psicanálise, com notória especialidade, responsável pela preparação psicanalítica de novos alunos e professores do Illumen. Atua na clínica psicanalítica desde 2001.

'Memórias de chá', novo livro do CIS, ganha vida com homenagens e relatos

'Memórias de chá', novo livro do CIS, ganha vida com homenagens e relatos

Jane Hir
20/4/2024 9:27

Já faz algum tempo (acredito que esse seja um presente do envelhecimento) que venho aprendendo a saborear os momentos vividos. É como se relesse com atenção uma parte da história que ainda estou construindo.

Há duas semanas, escrevi sobre a apresentação do livro Memórias de chá, escrito pelas educandas do Centro de Integração Social (CIS). Nesse evento, uma cena se destaca entre as minhas lembranças: a diretora da unidade presta uma linda homenagem ao seu pai para representar, naquele momento, o leitor.

Pateta no trânsito: reflexões sobre raiva e autocontrole

Controlar o 'Pateta interno' pode transformar sua condução

Carolina Schmitz da Silva
20/4/2024 9:08

Na minha infância, lembro-me de assistir ao filme do Pateta no trânsito, uma animação da Disney na qual ele se transforma em uma pessoa raivosa ao dirigir. Aquela mudança de humor ao entrar em um carro me impressionava profundamente.

Agora, como adulta, vejo-me controlando meu Pateta interno e, em alguns momentos, percebo sua força crescer enquanto dirijo. Tendo consciência de quando ele domina, reconheço quão inadequado ele é.

Cidade Capital é um projeto de jornalismo.

47.078.846/0001-08

secretaria@cidade.capital