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Opinião

Pais com autoestima fortalecida sabem nutrir e estruturar o caminho de seus filhos

 Promover autoestima nas crianças requer equilíbrio emocional dos pais, ensinando limites e amor incondicional. Essa base fortalece os pequenos. Promover autoestima nas crianças requer equilíbrio emocional dos pais, ensinando limites e amor incondicional. Essa base fortalece os pequenos.
Vinícius Sgarbe
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Adobe Firefly
Maku de Almeida
24/9/2023 17:52

<span class="abre-texto">Quando penso no que de melhor</span> podemos dar para nossos filhos, imediatamente me vem o pensamento: uma autoestima fortalecida. O que não significa encaminhá-los para um caminho narcísico de se perceberem melhores que todas as outras pessoas. Significa fundamentos e recursos internos que lhes permitam navegar pelos altos e baixos da existência dando conta de lidar com os diferentes desafios.

A autoestima é construída e nutrida a partir de um delicado equilíbrio entre estrutura e nutrição emocional, o que supõe uma atenção dividida em gestão de limites e fornecimento de estímulos que atendam as necessidades relacionais dos filhos.

O bebezinho, quando chega a uma comunidade familiar, é singular e único em suas características. Ao se relacionar com as pessoas, através das suas experiências, ele constrói identidade e autoestima.

Aos pais, cabe a tarefa nobre de cuidarem e fortalecerem a si mesmos, para que tenham condições de fornecer ambiente e comportamentos que facilitem o processo. Muitas vezes, não recebemos os recursos necessários para fazê-lo. O bonito da existência é que o que não recebemos na nossa própria experiência podemos aprender.

Autoestima é um fenômeno interno, construído aos poucos e não depende da percepção externa ou comparação com outras pessoas. Ou seja, quanto mais robusta a autoestima, menos vulnerável a pessoa será aos impactos de outras pessoas e de eventos ao redor de si.

Respeitar a si mesmo, dentro do escopo de uma autoestima fortalecida, propicia uma visão nivelada das outras pessoas, dentro de uma ética de simetria. A fragilização da autoestima expõe a pessoa aos julgamentos e comparações que podem exclui-la de possibilidades e alternativas de realização de bem-estar.

A construção da autoestima se dá na convivência com pessoas que permitam que nosso aprendizado aconteça, que nossa capacidade crescente seja validada em cada uma das suas fases, e que possam nos fazer acreditar no quão dignos somos do amor inequívoco.

Preciso contar que o amor inequívoco não é um dos aspectos do amor romântico. Amor inequívoco parte da decisão deliberada de amar sem nenhuma condição. Perceber-se digno desse amor é um ingrediente insubstituível para a constituição e manutenção da autoestima.

Da consolidação da autoestima faz parte aprender a reconhecer as mensagens construtivas e destrutivas, de tal maneira que possamos, ao distingui-las, escolher qual vamos internalizar. Do fortalecimento da autoestima faz parte vivenciar as experiências e ter recursos emocionais e de pensamento para tomar decisões plenas de saúde. Da construção da autoestima e da autovalidação faz parte o equilíbrio entre reconhecimento e estímulo (necessidades relacionais básicas) e estrutura (clareza quanto a fronteiras e papéis).

Facilitar o processo de autovalidação nas crianças supõe um processo longo de amar e ensinar habilidades e responsabilidades a elas. Ao receberem limites amorosos, as crianças aprendem aos poucos a estabelecer os próprios limites e a se valorizar.

Muitas crianças não aprendem sobre fronteiras e limites quando convivem com adultos, porque esses as julgam ou criticam duramente os seus erros. Tais crianças nunca escutarão ou assistirão o que fazer, como fazer, quando fazer, e com quem fazer as tarefas rotineiras do viver. Ainda assim, os adultos esperam que elas acertem, que se adequem com perfeição.  

Podemos dialogar a respeito; é um tema que me mobiliza. Na minha ação profissional de desenvolvimento de pessoas, encontro em corpos de adultos as crianças que não aprenderam a autoestima nas suas diferentes linguagens. Mas é um aprendizado que pode ser retomado a qualquer tempo. Essa é uma luz que me estimula. Por outro lado, muito tempo e saúde são perdidos em inúmeras tentativas de acertar. O custo é alto, medido em quantidade de vida (não qualidade).

Uma criança amada assertivamente, que receba palavras, gestos e cuidado – nutrição emocional – saberá amar a si mesma.

Uma criança que aprenda limites, habilidades e padrões – estrutura – terá condições de desenvolver o senso de si e do outro, aprenderá e introjetará valores e ética, e poderá assumir a responsabilidade de si mesma.

Nutrição e estrutura são parceiras nesse projeto de vida. A presença de uma delas pelo menos oferece condições para o funcionamento da criança, mesmo que sem alegria e leveza (quando falta a nutrição), e sem força e segurança (quando falta a estrutura).

Por onde começar?

Pais com autoestima fortalecida sabem nutrir e estruturar o caminho de seus filhos. Quando não é o caso de haver autoestima nos cuidadores, é hora de trazer para si a possibilidade de aprender como fazer para cuidar de si.

No caminho, ao dialogar com os filhos, temos a possibilidade de também aprender. Não é uma tarefa simples, não é uma tarefa a se fazer sozinho, não é tarefa para se executar como parâmetro de sucesso. Não são filhos perfeitos que precisamos almejar, e sim filhos que deem conta, do jeito deles, dos desafios apresentados pela experiência de viver – com leveza e algum prazer, quando possível.

Última atualização
1/10/2023 20:18
Maku de Almeida
Analista transacional. Escreve aos domingos.

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