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Opinião

Memórias de infância e o cuidado invisível do amor materno

Explorando o amor materno através das memórias de infância, destacando o valor das ações cotidianas de cuidado e a importância de reconhecer diversas formas de Explorando o amor materno através das memórias de infância, destacando o valor das ações cotidianas de cuidado e a importância de reconhecer diversas formas de
Arte Cidade Capital
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Jane Hir
24/2/2024 15:49

Tenho visto recentemente nas redes sociais muitas alusões, feitas por pais ou avós carinhosos, a respeito da construção de boas memórias nas crianças. Tenho certeza da importância desse cuidado. Eu mesma coleciono lembranças que me vivificam como goles de água fresca na travessia dos momentos de aridez.

No entanto, percebi que nas muitas lembranças que tenho contado, poucas vezes aparece a minha mãe. Onde ela estava? A pergunta inesperada ecoa dentro de mim... Ela não contava histórias, não sentava pra brincar conosco. Ah! Em um relance consigo encontrá-la areando as panelas amassadas pelo uso e colocando-as orgulhosamente ao sol.

Esgueirando um pouco mais o olhar a vejo carregando água, balde grande assentado na rodilha de pano sobre a cabeça, ela ia longe, muito longe. Depois a água era coada em um tecido leve e alvo nas talhas de barro. Continuo a busca e a encontro catando o feijão para cozinhar no fogão a querosene, ou ainda em um demorado ritual amassando o feijão do almoço para a sopa da noite.

Agora, a vejo estendendo as roupas que acabou de lavar no tanque de pedra bruta... É bonito ver, sob o contraste do céu azul, a fileira de fraldas brancas do sétimo, ou talvez, do oitavo filho! E à noitinha enquanto a minha avó contava histórias, eu posso enxergá-la passando nossas vestes com o pesado ferro de brasas incandescentes acordando o cheiro da roupa limpa que secou ao sol.

Cuidado foi a linguagem do Amor da minha mãe. Ela estava a serviço de sua prole desde que o sol começava a surgir no horizonte até muito depois da chegada da noite. Era a primeira que levantava e a última que se deitava. Mesmo em uma época de serviços médicos tão precários ela nos levava pra vacinar em todas as campanhas e tinha uma rígida rotina de higiene.

As memórias vão chegando e a cada uma eu reverencio o seu infinito amor!  Nessa viagem à minha infância, não me recordo de diálogos ou brincadeiras com ela. Apenas escuto a sua voz nos abençoando toda noite: “Benção, mãe!” “Deus te abençoe!”  E a gente dormia confiante!

Muitas de nós mulheres contemporâneas não mais fazemos os trabalhos daquela época. Ingressamos, no entanto, em inúmeras outras demandas para manter os nossos filhos e não conseguimos tempo para a construção de memórias felizes. Apenas cuidamos, cuidamos, cuidamos...

Talvez fosse o caso de conversarmos sobre isso com nossos filhos adolescentes ou adultos. Talvez também, fosse o caso de educar nossas crianças para entenderem que o Amor se expressa por diferentes linguagens.

Última atualização
24/2/2024 19:45
Jane Hir
Mestra em Educação (UFPR); Professora de língua portuguesa; Especialista em Educação de Jovens e Adultos; Facilitadora de Práticas Restaurativas — Eseje (2017) e SCJR/Coonozco (2018); Especialista em Práticas Restaurativas, com enfoque em Direitos Humanos (PUCPR); Especialista em Neurociências, Psicologia Positiva e Mindfulness (PUCPR).

'Memórias de chá', novo livro do CIS, ganha vida com homenagens e relatos

'Memórias de chá', novo livro do CIS, ganha vida com homenagens e relatos

Jane Hir
20/4/2024 9:27

Já faz algum tempo (acredito que esse seja um presente do envelhecimento) que venho aprendendo a saborear os momentos vividos. É como se relesse com atenção uma parte da história que ainda estou construindo.

Há duas semanas, escrevi sobre a apresentação do livro Memórias de chá, escrito pelas educandas do Centro de Integração Social (CIS). Nesse evento, uma cena se destaca entre as minhas lembranças: a diretora da unidade presta uma linda homenagem ao seu pai para representar, naquele momento, o leitor.

Pateta no trânsito: reflexões sobre raiva e autocontrole

Controlar o 'Pateta interno' pode transformar sua condução

Carolina Schmitz da Silva
20/4/2024 9:08

Na minha infância, lembro-me de assistir ao filme do Pateta no trânsito, uma animação da Disney na qual ele se transforma em uma pessoa raivosa ao dirigir. Aquela mudança de humor ao entrar em um carro me impressionava profundamente.

Agora, como adulta, vejo-me controlando meu Pateta interno e, em alguns momentos, percebo sua força crescer enquanto dirijo. Tendo consciência de quando ele domina, reconheço quão inadequado ele é.

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