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Opinião

'Memórias de chá', novo livro do CIS, ganha vida com homenagens e relatos

Evento no CIS une memórias e escrita, destacando a importância do leitor na interpretação textual, através de uma tocante homenagem familiar.Evento no CIS une memórias e escrita, destacando a importância do leitor na interpretação textual, através de uma tocante homenagem familiar.
Frida Kahlo
/
As duas Fridas, 1939. Museu de Arte Moderna, Cidade do México.
Jane Hir

Já faz algum tempo (acredito que esse seja um presente do envelhecimento) que venho aprendendo a saborear os momentos vividos. É como se relesse com atenção uma parte da história que ainda estou construindo.

Há duas semanas, escrevi sobre a apresentação do livro Memórias de chá, escrito pelas educandas do Centro de Integração Social (CIS). Nesse evento, uma cena se destaca entre as minhas lembranças: a diretora da unidade presta uma linda homenagem ao seu pai para representar, naquele momento, o leitor.

Além do gesto de afeto, chamou-me a atenção contar naquele encontro de validação da escrita de si, com a representação simbólica do leitor.

No ato da escrita, o leitor é o destinatário da mensagem. Imaginário ou real, é para ele que escrevemos.

Na seara de ensinar a escrever, seja para os processos seletivos, seja para possibilitar um encontro com as memórias, sentimentos ou percepções do mundo, na perspectiva de ressignificar o ser e estar aqui e agora, o leitor é o porto para o qual as embarcações do texto acorrem.

Há, com certeza, uma negociação de sentidos a ser feita para que a mensagem alcance seu objetivo e, para além da definição do gênero, também se instaura no processo da escrita um capcioso jogo de esconde e mostra.

A escrita de si, quando mobilizada pelas memórias, apesar de, às vezes, autobiográfica, necessariamente atravessa o portal da interpretação de um outro eu.

O fato vivido é, no ato da escrita, o resultado interpretativo do eu de agora. Como disse Heráclito: Nenhum homem pode se banhar no mesmo rio duas vezes, pois na segunda vez, nem o homem, nem o rio são os mesmos.

Assim, a escrita é, em verdade, o resultado de uma primeira leitura, muitas vezes inconsciente nos relatos autobiográficos e outras vezes, consciente e crítica quando precisamos ajustar o discurso aos enunciados propostos.

Esse processo de interpretar o que somos, pensamos, sonhamos, com que concordamos e discordamos que se apresenta na escrita também está presente na vida. No texto, usamos as palavras para deixar nossa marca, na vida, o texto somos nós.

Na releitura daquela tarde, a presença do leitor representada por uma pessoa que muito caminhou me fez pensar no compromisso que temos. Mais cedo ou mais tarde, seremos uma página escrita no livro da vida. O que deixaremos como legado? Qual será a mensagem de nosso canto?

Última atualização
20/4/2024 9:45
Jane Hir
Mestra em Educação (UFPR); Professora de língua portuguesa; Especialista em Educação de Jovens e Adultos; Facilitadora de Práticas Restaurativas — Eseje (2017) e SCJR/Coonozco (2018); Especialista em Práticas Restaurativas, com enfoque em Direitos Humanos (PUCPR); Especialista em Neurociências, Psicologia Positiva e Mindfulness (PUCPR).

Wine Cott: um encontro de alma, vinho e poesia

Wine Cott: um encontro de alma, vinho e poesia

Jane Hir
25/5/2024 14:58

Primeiro, o convite carinhoso. À espera de uma brecha na agenda lotada, o desejo de conhecer um outro grupo crescia. De repente, o compromisso que impedia a minha ida foi desfeito. Ah! Posso ir! Ainda me quer? E em troca recebi um canto de alvorecer:

– Clarooooo!

Feridas emocionais podem afetar saúde mental e bem-estar

Feridas emocionais podem afetar saúde mental e bem-estar

Carolina Schmitz da Silva
25/5/2024 12:17

Uma noite aparentemente tranquila, com potencial de aproveitamento total para o descanso e reposição de energia, de repente é interrompida por um pesadelo. Um pesadelo envolvendo pessoas, sentimentos, situações de anos atrás, deveria ficar lá, quando ocorreu, volta com tanta força, que o sono vai embora.

Ter falado nas pessoas, dias antes, possivelmente ativou áreas do meu cérebro, que fez com que essas memórias invadissem um momento tão precioso, meu sono sagrado. Quem me conhece, sabe que amo dormir e ter uma boa noite de sono é imprescindível para o meu dia fluir. 

Opinião

'Memórias de chá', novo livro do CIS, ganha vida com homenagens e relatos

Evento no CIS une memórias e escrita, destacando a importância do leitor na interpretação textual, através de uma tocante homenagem familiar.Evento no CIS une memórias e escrita, destacando a importância do leitor na interpretação textual, através de uma tocante homenagem familiar.
Frida Kahlo
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As duas Fridas, 1939. Museu de Arte Moderna, Cidade do México.
Jane Hir
Mestra em Educação (UFPR); Professora de língua portuguesa; Especialista em Educação de Jovens e Adultos; Facilitadora de Práticas Restaurativas — Eseje (2017) e SCJR/Coonozco (2018); Especialista em Práticas Restaurativas, com enfoque em Direitos Humanos (PUCPR); Especialista em Neurociências, Psicologia Positiva e Mindfulness (PUCPR).
20/4/2024 9:27
Jane Hir

'Memórias de chá', novo livro do CIS, ganha vida com homenagens e relatos

Já faz algum tempo (acredito que esse seja um presente do envelhecimento) que venho aprendendo a saborear os momentos vividos. É como se relesse com atenção uma parte da história que ainda estou construindo.

Há duas semanas, escrevi sobre a apresentação do livro Memórias de chá, escrito pelas educandas do Centro de Integração Social (CIS). Nesse evento, uma cena se destaca entre as minhas lembranças: a diretora da unidade presta uma linda homenagem ao seu pai para representar, naquele momento, o leitor.

Além do gesto de afeto, chamou-me a atenção contar naquele encontro de validação da escrita de si, com a representação simbólica do leitor.

No ato da escrita, o leitor é o destinatário da mensagem. Imaginário ou real, é para ele que escrevemos.

Na seara de ensinar a escrever, seja para os processos seletivos, seja para possibilitar um encontro com as memórias, sentimentos ou percepções do mundo, na perspectiva de ressignificar o ser e estar aqui e agora, o leitor é o porto para o qual as embarcações do texto acorrem.

Há, com certeza, uma negociação de sentidos a ser feita para que a mensagem alcance seu objetivo e, para além da definição do gênero, também se instaura no processo da escrita um capcioso jogo de esconde e mostra.

A escrita de si, quando mobilizada pelas memórias, apesar de, às vezes, autobiográfica, necessariamente atravessa o portal da interpretação de um outro eu.

O fato vivido é, no ato da escrita, o resultado interpretativo do eu de agora. Como disse Heráclito: Nenhum homem pode se banhar no mesmo rio duas vezes, pois na segunda vez, nem o homem, nem o rio são os mesmos.

Assim, a escrita é, em verdade, o resultado de uma primeira leitura, muitas vezes inconsciente nos relatos autobiográficos e outras vezes, consciente e crítica quando precisamos ajustar o discurso aos enunciados propostos.

Esse processo de interpretar o que somos, pensamos, sonhamos, com que concordamos e discordamos que se apresenta na escrita também está presente na vida. No texto, usamos as palavras para deixar nossa marca, na vida, o texto somos nós.

Na releitura daquela tarde, a presença do leitor representada por uma pessoa que muito caminhou me fez pensar no compromisso que temos. Mais cedo ou mais tarde, seremos uma página escrita no livro da vida. O que deixaremos como legado? Qual será a mensagem de nosso canto?

Jane Hir
Mestra em Educação (UFPR); Professora de língua portuguesa; Especialista em Educação de Jovens e Adultos; Facilitadora de Práticas Restaurativas — Eseje (2017) e SCJR/Coonozco (2018); Especialista em Práticas Restaurativas, com enfoque em Direitos Humanos (PUCPR); Especialista em Neurociências, Psicologia Positiva e Mindfulness (PUCPR).
Última atualização
20/4/2024 9:45

Wine Cott: um encontro de alma, vinho e poesia

Jane Hir
25/5/2024 14:58

Primeiro, o convite carinhoso. À espera de uma brecha na agenda lotada, o desejo de conhecer um outro grupo crescia. De repente, o compromisso que impedia a minha ida foi desfeito. Ah! Posso ir! Ainda me quer? E em troca recebi um canto de alvorecer:

– Clarooooo!

Feridas emocionais podem afetar saúde mental e bem-estar

Carolina Schmitz da Silva
25/5/2024 12:17

Uma noite aparentemente tranquila, com potencial de aproveitamento total para o descanso e reposição de energia, de repente é interrompida por um pesadelo. Um pesadelo envolvendo pessoas, sentimentos, situações de anos atrás, deveria ficar lá, quando ocorreu, volta com tanta força, que o sono vai embora.

Ter falado nas pessoas, dias antes, possivelmente ativou áreas do meu cérebro, que fez com que essas memórias invadissem um momento tão precioso, meu sono sagrado. Quem me conhece, sabe que amo dormir e ter uma boa noite de sono é imprescindível para o meu dia fluir. 

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