Corrida para a Prefeitura de Curitiba

Opinião

'Memórias de chá': detentas lançam livro e emocionam público

Projeto educacional no presídio transforma detentas em autoras de livro, destacando superação e humanização.Projeto educacional no presídio transforma detentas em autoras de livro, destacando superação e humanização.
Vinícius Sgarbe
/
Adobe Firefly
Jane Hir

Como educadora do sistema prisional há dez anos, tenho presenciado, das mais diversas maneiras, a complexidade do humano que nos habita. Maravilhamento é a palavra que me define quando constato que em um lugar tão improvável como o espaço prisional a ternura teima em brotar.

O projeto O verde que cura realizado em 2023 no Centro de Integração Social (CIS) — com alunas de Ensino Fundamental e Médio teve como produto final a produção de um livro de memórias intitulado Memórias de chá.

Há algum tempo venho trabalhando a escrita como um procedimento de autoria numa abordagem restaurativa, ou seja, acolho a escrita possível de cada educando a partir da mobilização de memórias, sentimentos ou percepções.

Na leitura do que foi escrito, negociamos o sentido das palavras no texto, os elementos de coesão, a sequência, a ideia a ser transmitida.

Somente a partir daí trabalho as normas da língua culta e as diferentes formas de dizer. Os educandos têm respondido bem a essa proposta e cada texto escrito me traz a esperança de uma trajetória que ao ser pensada, possa ser transformada.

Ontem, as educandas do CIS que escreveram o livro mencionado puderam experienciar a emoção de ter o seu nome citado como autoras, diante de colegas convidadas por elas, professores, pedagogos, diretores,  advogados, promotores e de uma representante da Academia de Letras do Paraná. Foram aplaudidas e autografaram a própria obra.

Ali, diante dos olhos brilhantes das novas autoras e da plateia emocionada eu revivi o caminho da produção do livro: a boniteza dos olhos úmidos ao relembrarem as memórias quase esquecidas, a frequente menção às avós e aos filhos, indícios de amor e ternura. O cuidado, marca primeira da humanização.

O espaço de ervas medicinais da unidade prisional e o chá feito quase todas as manhãs e servido cheiroso e quentinho enquanto trabalhávamos com as palavras para traduzir as lembranças, foram personagens importantes na história de amor que esse livro representa.

Ao juntarmos as narrativas dos diferentes atores — educandas, professores, servidores e diretores no mesmo livro presentificamos a dimensão dialógica e horizontal do fazer educativo enquanto a escrita de si, na valorização do humano, assinala o objetivo maior da educação em presídios: a construção de uma autoria para além do delito.

Última atualização
6/4/2024 10:31
Jane Hir
Mestra em Educação (UFPR); Professora de língua portuguesa; Especialista em Educação de Jovens e Adultos; Facilitadora de Práticas Restaurativas — Eseje (2017) e SCJR/Coonozco (2018); Especialista em Práticas Restaurativas, com enfoque em Direitos Humanos (PUCPR); Especialista em Neurociências, Psicologia Positiva e Mindfulness (PUCPR).

Wine Cott: um encontro de alma, vinho e poesia

Wine Cott: um encontro de alma, vinho e poesia

Jane Hir
25/5/2024 14:58

Primeiro, o convite carinhoso. À espera de uma brecha na agenda lotada, o desejo de conhecer um outro grupo crescia. De repente, o compromisso que impedia a minha ida foi desfeito. Ah! Posso ir! Ainda me quer? E em troca recebi um canto de alvorecer:

– Clarooooo!

Feridas emocionais podem afetar saúde mental e bem-estar

Feridas emocionais podem afetar saúde mental e bem-estar

Carolina Schmitz da Silva
25/5/2024 12:17

Uma noite aparentemente tranquila, com potencial de aproveitamento total para o descanso e reposição de energia, de repente é interrompida por um pesadelo. Um pesadelo envolvendo pessoas, sentimentos, situações de anos atrás, deveria ficar lá, quando ocorreu, volta com tanta força, que o sono vai embora.

Ter falado nas pessoas, dias antes, possivelmente ativou áreas do meu cérebro, que fez com que essas memórias invadissem um momento tão precioso, meu sono sagrado. Quem me conhece, sabe que amo dormir e ter uma boa noite de sono é imprescindível para o meu dia fluir. 

Opinião

'Memórias de chá': detentas lançam livro e emocionam público

Projeto educacional no presídio transforma detentas em autoras de livro, destacando superação e humanização.Projeto educacional no presídio transforma detentas em autoras de livro, destacando superação e humanização.
Vinícius Sgarbe
/
Adobe Firefly
Jane Hir
Mestra em Educação (UFPR); Professora de língua portuguesa; Especialista em Educação de Jovens e Adultos; Facilitadora de Práticas Restaurativas — Eseje (2017) e SCJR/Coonozco (2018); Especialista em Práticas Restaurativas, com enfoque em Direitos Humanos (PUCPR); Especialista em Neurociências, Psicologia Positiva e Mindfulness (PUCPR).
6/4/2024 10:31
Jane Hir

'Memórias de chá': detentas lançam livro e emocionam público

Como educadora do sistema prisional há dez anos, tenho presenciado, das mais diversas maneiras, a complexidade do humano que nos habita. Maravilhamento é a palavra que me define quando constato que em um lugar tão improvável como o espaço prisional a ternura teima em brotar.

O projeto O verde que cura realizado em 2023 no Centro de Integração Social (CIS) — com alunas de Ensino Fundamental e Médio teve como produto final a produção de um livro de memórias intitulado Memórias de chá.

Há algum tempo venho trabalhando a escrita como um procedimento de autoria numa abordagem restaurativa, ou seja, acolho a escrita possível de cada educando a partir da mobilização de memórias, sentimentos ou percepções.

Na leitura do que foi escrito, negociamos o sentido das palavras no texto, os elementos de coesão, a sequência, a ideia a ser transmitida.

Somente a partir daí trabalho as normas da língua culta e as diferentes formas de dizer. Os educandos têm respondido bem a essa proposta e cada texto escrito me traz a esperança de uma trajetória que ao ser pensada, possa ser transformada.

Ontem, as educandas do CIS que escreveram o livro mencionado puderam experienciar a emoção de ter o seu nome citado como autoras, diante de colegas convidadas por elas, professores, pedagogos, diretores,  advogados, promotores e de uma representante da Academia de Letras do Paraná. Foram aplaudidas e autografaram a própria obra.

Ali, diante dos olhos brilhantes das novas autoras e da plateia emocionada eu revivi o caminho da produção do livro: a boniteza dos olhos úmidos ao relembrarem as memórias quase esquecidas, a frequente menção às avós e aos filhos, indícios de amor e ternura. O cuidado, marca primeira da humanização.

O espaço de ervas medicinais da unidade prisional e o chá feito quase todas as manhãs e servido cheiroso e quentinho enquanto trabalhávamos com as palavras para traduzir as lembranças, foram personagens importantes na história de amor que esse livro representa.

Ao juntarmos as narrativas dos diferentes atores — educandas, professores, servidores e diretores no mesmo livro presentificamos a dimensão dialógica e horizontal do fazer educativo enquanto a escrita de si, na valorização do humano, assinala o objetivo maior da educação em presídios: a construção de uma autoria para além do delito.

Jane Hir
Mestra em Educação (UFPR); Professora de língua portuguesa; Especialista em Educação de Jovens e Adultos; Facilitadora de Práticas Restaurativas — Eseje (2017) e SCJR/Coonozco (2018); Especialista em Práticas Restaurativas, com enfoque em Direitos Humanos (PUCPR); Especialista em Neurociências, Psicologia Positiva e Mindfulness (PUCPR).
Última atualização
6/4/2024 10:31

Wine Cott: um encontro de alma, vinho e poesia

Jane Hir
25/5/2024 14:58

Primeiro, o convite carinhoso. À espera de uma brecha na agenda lotada, o desejo de conhecer um outro grupo crescia. De repente, o compromisso que impedia a minha ida foi desfeito. Ah! Posso ir! Ainda me quer? E em troca recebi um canto de alvorecer:

– Clarooooo!

Feridas emocionais podem afetar saúde mental e bem-estar

Carolina Schmitz da Silva
25/5/2024 12:17

Uma noite aparentemente tranquila, com potencial de aproveitamento total para o descanso e reposição de energia, de repente é interrompida por um pesadelo. Um pesadelo envolvendo pessoas, sentimentos, situações de anos atrás, deveria ficar lá, quando ocorreu, volta com tanta força, que o sono vai embora.

Ter falado nas pessoas, dias antes, possivelmente ativou áreas do meu cérebro, que fez com que essas memórias invadissem um momento tão precioso, meu sono sagrado. Quem me conhece, sabe que amo dormir e ter uma boa noite de sono é imprescindível para o meu dia fluir. 

Cidade Capital é um projeto de jornalismo.

47.078.846/0001-08

secretaria@cidade.capital