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Opinião

Histórias da vida são dobras para um origami que se pode gostar

Explorando a complexidade dos vincos emocionais e seu impacto na nossa existência. Uma reflexão sobre a importância do autocuidado e compreensão das cicatrizes Explorando a complexidade dos vincos emocionais e seu impacto na nossa existência. Uma reflexão sobre a importância do autocuidado e compreensão das cicatrizes
Vinícius Sgarbe
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Adobe Firefly
Maku de Almeida
28/1/2024 16:39

<span class="abre-texto">Quando as pessoas me conhecem</span>, veem minha imagem no presente e interpretam (mesmo inconscientemente) meus gestos, sons e expressões. Minha história está ali, precisamente naqueles gestos, sons e expressões – e em muitos outros aspectos ocultos, dos quais não me recordo.

Esse conjunto que se apresenta é uma espécie de “produto final”, formado a partir de incontáveis marcas e vincos. Quem observa a imagem, contudo, não pode adivinhar as marcas.

Cada instante da existência deixa sua dobra, como no origami, cuja forma final bela e simétrica oculta inúmeras etapas de preparação invisíveis. O resultado final que é notado, qualificado e admirado é sustentado por pilares invisíveis.

O reflexo que observo no espelho, ainda hoje, com tantos anos transcorridos, ainda esconde histórias que provavelmente desconhecerei.

Em nós, seres humanos, esses vincos podem ser fruto de uma simples experiência ou vestígio de algum trauma. Nosso cérebro, por meio do impulso poderoso da sobrevivência, muitas vezes oculta profundamente no esquecimento os eventos que geraram as marcas.

Os comportamentos adquiridos como reação aos vincos persistem, influenciando os relacionamentos.

A cegueira em relação às cicatrizes não impede o surgimento da dor. Que frequentemente aparece, aparentemente sem motivo. Essa dor origina comportamentos de sobrevivência, que, desatualizados, são inapropriados para a gestão da realidade concreta do presente.

Faz parte do autocuidado identificar as cicatrizes e, na medida do possível, buscar compreender sua origem, entender os impactos delas e optar por experimentar comportamentos alternativos.

Houve um momento em que precisei, com compaixão pela minha Criança interior, compreender e perdoar aos adultos que de algum modo marcaram dolorosamente minha memória. Esse processo de busca me levou a encontrar outros adultos que marcaram minha experiência com afeto e validação.

Hoje, aos meus vincos internos somaram-se os vincos da idade. Cada vez mais entendo, percebo e sinto ter maior amplitude para decidir, perdoar ou agradecer. Maior ainda é a liberdade de agir com autonomia, sem ser impulsionada automaticamente pela dor.

Honro, neste domingo azul, cada um dos meus vincos internos que me trouxeram até aqui. E sigo traçando o caminho intricado que eles delineiam. Aprecio, cada vez mais, o produto final.

Última atualização
4/2/2024 19:48
Maku de Almeida
Analista transacional. Escreve aos domingos.

'Memórias de chá', novo livro do CIS, ganha vida com homenagens e relatos

'Memórias de chá', novo livro do CIS, ganha vida com homenagens e relatos

Jane Hir
20/4/2024 9:27

Já faz algum tempo (acredito que esse seja um presente do envelhecimento) que venho aprendendo a saborear os momentos vividos. É como se relesse com atenção uma parte da história que ainda estou construindo.

Há duas semanas, escrevi sobre a apresentação do livro Memórias de chá, escrito pelas educandas do Centro de Integração Social (CIS). Nesse evento, uma cena se destaca entre as minhas lembranças: a diretora da unidade presta uma linda homenagem ao seu pai para representar, naquele momento, o leitor.

Pateta no trânsito: reflexões sobre raiva e autocontrole

Controlar o 'Pateta interno' pode transformar sua condução

Carolina Schmitz da Silva
20/4/2024 9:08

Na minha infância, lembro-me de assistir ao filme do Pateta no trânsito, uma animação da Disney na qual ele se transforma em uma pessoa raivosa ao dirigir. Aquela mudança de humor ao entrar em um carro me impressionava profundamente.

Agora, como adulta, vejo-me controlando meu Pateta interno e, em alguns momentos, percebo sua força crescer enquanto dirijo. Tendo consciência de quando ele domina, reconheço quão inadequado ele é.

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