Corrida para a Prefeitura de Curitiba

Opinião

Entre caixas e lembranças, uma jornada de reinvenção pessoal se desdobra

Mudança de casa como um momento de reflexão sobre a vida, desapego e redescobertas pessoais.Mudança de casa como um momento de reflexão sobre a vida, desapego e redescobertas pessoais.
Arte Cidade Capital
/
Adobe Firefly
Jane Hir
17/2/2024 12:11

<span class="abre-texto">O que vai para a nova casa?</span> O que vai ficar? Quais as medidas que devem ser tomadas? De que eu preciso me desapegar? O que cabe lá? O que eu preciso adquirir? Como vou organizar os novos espaços? Quem vai me auxiliar nesse processo? Quem pode me visitar a qualquer hora, mesmo que esteja tudo virado de pernas pro ar?

E depois, quando o transporte é finalizado, é preciso paciência para ir conhecendo as peculiaridades do novo local: as escadas que me recordam outros tempos, o armário desnecessário, a urgência de uma cortina nova, a possibilidade de ter os recursos do cotidiano mais bem dispostos, a alegria quase esquecida de secar as roupas ao sol...

A minha recente mudança de residência, de um apartamento para um sobrado, ilustra bem as diversas metamorfoses apresentadas pela vida. De um momento para outro nos reconhecemos em transformação e precisamos identificar o que não mais serve e o que é necessário construir.

De um momento para outro nos perguntamos: como esqueci que eu gostava disso? Ou porque isso não me interessa mais?

Ou ainda: Em que momento me perdi de mim? Que estratégias eu preciso usar para encontrar o caminho de volta ou para não voltar ao mesmo caminho?

E no momento exato da mudança, quando o caos se instala, apenas a alguns permitimos que nos vejam como somos. Esses são os amigos (aqueles que sempre nos recordam quem realmente somos). Esses nos ajudam a descartar o que não mais precisamos e a arrumar o espaço interno para acolher a vida em plenitude.

Algumas pessoas se espantam com o número de mudanças de residência que já fiz.

Eu me espanto, às vezes, com as diversas Janes que já fui e com a possível reinvenção de outras tantas. Contemplo a todas com amorosidade. Não as julgo. Foram o que puderam ser... Elas serão o que puderem ser...

Nesse início de ano fui abençoada com a coincidência feliz de três mudanças: a restauração do vínculo matrimonial com o pai dos meus filhos biológicos, a decisão da aposentadoria como professora da rede estadual e a mudança de residência para um lugar em harmonia com essa nova etapa.

A cada dia tenho mais passado e isso traz potência ao meu agora. Não tenho curiosidade pelo futuro, mas sim, uma infinita ternura pelo instante presente. E nesse momento eu tenho as roupas secando ao sol no quintal da casa, tenho rosas vermelhas na porta da minha sala, um limão verde ao alcance da mão na sacada do meu quarto e um café quentinho passado na hora e trazido pra mim enquanto escrevo este texto...

Última atualização
17/2/2024 12:11
Jane Hir
Mestra em Educação (UFPR); Professora de língua portuguesa; Especialista em Educação de Jovens e Adultos; Facilitadora de Práticas Restaurativas — Eseje (2017) e SCJR/Coonozco (2018); Especialista em Práticas Restaurativas, com enfoque em Direitos Humanos (PUCPR); Especialista em Neurociências, Psicologia Positiva e Mindfulness (PUCPR).

'Memórias de chá', novo livro do CIS, ganha vida com homenagens e relatos

'Memórias de chá', novo livro do CIS, ganha vida com homenagens e relatos

Jane Hir
20/4/2024 9:27

Já faz algum tempo (acredito que esse seja um presente do envelhecimento) que venho aprendendo a saborear os momentos vividos. É como se relesse com atenção uma parte da história que ainda estou construindo.

Há duas semanas, escrevi sobre a apresentação do livro Memórias de chá, escrito pelas educandas do Centro de Integração Social (CIS). Nesse evento, uma cena se destaca entre as minhas lembranças: a diretora da unidade presta uma linda homenagem ao seu pai para representar, naquele momento, o leitor.

Pateta no trânsito: reflexões sobre raiva e autocontrole

Controlar o 'Pateta interno' pode transformar sua condução

Carolina Schmitz da Silva
20/4/2024 9:08

Na minha infância, lembro-me de assistir ao filme do Pateta no trânsito, uma animação da Disney na qual ele se transforma em uma pessoa raivosa ao dirigir. Aquela mudança de humor ao entrar em um carro me impressionava profundamente.

Agora, como adulta, vejo-me controlando meu Pateta interno e, em alguns momentos, percebo sua força crescer enquanto dirijo. Tendo consciência de quando ele domina, reconheço quão inadequado ele é.

Cidade Capital é um projeto de jornalismo.

47.078.846/0001-08

secretaria@cidade.capital