Hoje

Corrida para a Prefeitura de Curitiba

Opinião

Em entrevista, Nelson Edi Hohmann fala sobre sua carreira artística na gravura

Conheça a trajetória de Nelson Edi Hohmann, artista gravurista, desde suas influências até suas perspectivas futuras na arte.Conheça a trajetória de Nelson Edi Hohmann, artista gravurista, desde suas influências até suas perspectivas futuras na arte.
Bianca Stella
/
Acervo pessoal
Gracon
1/12/2023 9:37

Neste texto, vamos conhecer um pouco mais sobre a trajetória do artista curitibano Nelson Edi Hohmann, formado em Educação Artística pela Faculdade de Artes do Paraná, em 1990. Desde 1989, participa de diversas exposições coletivas, salões de arte e bienais de gravura, tendo obras em acervos nacionais e internacionais. Atualmente, trabalha como instrutor de artes nos ateliês de xilogravura e serigrafia do Solar do Barão.

Bianca: Como você começou a se interessar pela gravura e quais foram suas principais influências artísticas?

Nelson: Os motivos para abandonar a pintura e seguir com a utilização das técnicas de gravura vêm por incentivo da professora Rosane Schloegel, a partir do segundo semestre de 1989, quando comecei a frequentar a oficina de serigrafia no Museu Da Gravura Cidade de Curitiba (MGCC), ministrada pelo artista e arte-educador Júlio César Manso Vieira. Em 1994, deixei de pintar para concentrar os esforços em bancar os custos da utilização do ateliê — na aquisição dos materiais serigráficos — e desenvolver séries de trabalhos para exposições coletivas e solo. As minhas influências começam com os artistas dos movimentos modernistas da Europa — Cubismo, Dadaísmo, Expressionismo abstrato e passando pela Pop Arte Americana — mas, também dos artistas modernistas brasileiros como Tarsila do Amaral, Anita Malfatti, Oswaldo Goeldi, Lívio Abramo e principalmente o Concretismo dos anos cinquenta ao Tropicalismo dos anos sessenta, com Lígia Clark e Hélio Oiticica. As influências vêm até hoje norteando as minhas pesquisas artísticas — Dionísio Del Santo, Volpi, Waldemar Cordeiro, Fayga Ostrower e Renina Katz.

Nelson Edi Hohmann, “Espaço-cor”, serigrafia sobre papel algodão, 42 x 57 cm, 2020.

Bianca: Como você descreve sua trajetória no Museu da Gravura? 

Nelson: Em 1989, no início da aprendizagem técnica, frequentei as oficinas de Serigrafia e Xilografia com o objetivo de prática individual. Através do concurso público fui efetivado orientador de gravura do MGCC, em 17/08/1994. Desde então, sigo orientando os ateliês de Xilografia e Serigrafia.

Bianca: Você pode contar sobre como surgiu a proposta do troca-troca de gravura entre os ateliês do Solar do Barão? 

Nelson: No final do verão de 2010 recebi a visita de um estudante norte-americano chamado Cole Hoyer-Winfield. Naquela ocasião, [ele] estava visitando a cidade de Curitiba, procurando alguma referência para desenvolver projetos culturais de intercâmbio para a criação de uma história em quadrinhos na técnica da Xilografia, daí veio a ideia de fazermos uma troca de gravuras entre artistas brasileiros e artistas norte-americanos. Criamos um regulamento para a confecção de um álbum de gravuras e as trocas dos trabalhos. Participamos de diversas exposições em nível local, no próprio MGCC, nacional, na Casa da Gravura em São Paulo (SP) e internacional, na Conferência Nacional de Gravura em Mineápolis (MN), nos Estados Unidos. No ano seguinte, fizemos nova troca de gravuras. Esta experiência se manteve como uma forma de confraternização dos orientadores e frequentadores das oficinas de gravura do MGCC até os dias de hoje.

Exposição ‘Idiossincrasia Local’, em ocasião do 2º Intercâmbio de Portfólios, na galeria Gravura Brasileira, 2012.

Bianca: Como você vê o papel da gravura na arte contemporânea brasileira e internacional?

Nelson: A tradição dos artistas brasileiros em utilizar técnicas de gravura inicia-se no final do século XIX com Carlos Oswald, artista e professor que incentiva as tradições de prelo e logo no início do século XX, se mantém arraigado aos cursos. A prática prossegue na densidade dos trabalhos de Lasar Segall e Oswaldo Goeldi, influenciando uma miríade de excelentes artistas de gerações posteriores. A partir das décadas de 50 e 60, a gravura toma a cena brasileira e fortalece o mercado de arte. Neste contexto, nasce a obra múltipla da gravura. A contemporaneidade das técnicas de impressão [hoje] influencia praticamente toda a produção artística global, estabelecendo a presença das técnicas de gravura tradicionais em meio às mais avançadas técnicas de impressão, [elas] ainda têm sua relevância e seguem a reverberar no presente.

Bianca: Quais são seus planos e expectativas para o futuro?

Nelson: Meus planos de trabalho na pesquisa e produção de novas obras concentram-se nas experiências das técnicas de gravura. Espero elevar as expectativas de expor as gravuras em diversos locais de notoriedade, para que mais pessoas possam assistir e desfrutar da minha produção artística.

 Por Bianca Stella.

Última atualização
8/12/2023 10:26
Gracon
Grupo de pesquisa em Gravura Contemporânea da Universidade Estadual do Paraná (Unespar).

PIB do Brasil registra crescimento de 2,9% em 2023 e atinge R$ 10,9 trilhões

PIB do Brasil registra crescimento de 2,9% em 2023 e atinge R$ 10,9 trilhões

Redação Cidade Capital
1/3/2024 11:52

O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil registrou um crescimento de 2,9% em 2023, totalizando R$ 10,9 trilhões, de acordo com informações divulgadas nesta sexta-feira (1°) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Esse aumento sucede uma expansão de 3% observada em 2022.

O avanço do PIB no último ano foi liderado por um aumento recorde de 15,1% no setor agropecuário, marcando o maior crescimento desde o início da série histórica da pesquisa, em 1995. Os setores da indústria e de serviços também apresentaram crescimentos, com taxas de 1,6% e 2,4%, respectivamente.

Existir através da arte: gravuras ativistas exploram temática LGBTQIAP+

Existir através da arte: gravuras ativistas exploram temática LGBTQIAP+

Gracon
1/3/2024 10:22

Este texto abordará gravuras que tenho realizado desde 2020 na técnica de xilogravura com temática LGBTQIAP+, em repúdio ao elevado índice de mortes desta população em nosso país, que é o maior do mundo.

De acordo com o Grupo Gay da Bahia (GGB) e a Aliança Nacional LGBTI+, por exemplo, no ano de 2021, ocorreu uma morte a cada 29 horas.

Cidade Capital é um projeto de jornalismo.

47.078.846/0001-08

secretaria@cidade.capital