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Opinião

Candidatos de 2024 têm R$ 4,9 bi para renovar estragos na própria família e na vida pública

Eleições 2024 no Brasil: o dilema entre a manutenção do Fundo Eleitoral e a busca por candidatos carismáticos e éticos, refletindo a insatisfação popular.Eleições 2024 no Brasil: o dilema entre a manutenção do Fundo Eleitoral e a busca por candidatos carismáticos e éticos, refletindo a insatisfação popular.
Arte Cidade Capital
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Vinícius Sgarbe
16/1/2024 17:19

<span class="abre-texto">As eleições de 2024 vão dar o tom</span> municipal da insatisfação dos brasileiros quanto ao sistema político. Os números da aprovação do atual governo federal estão praticamente intactos desde março (Datafolha). É líquido e certo que esse aspecto da percepção individual dos eleitores vai ser explorado (mais uma vez), na apresentação dos candidatos como solucionadores da injustiça.

No apagar das luzes do ano passado, o Congresso rejeitou uma proposta para a redução do Fundo Eleitoral de R$ 4,9 bilhões para R$ 900 milhões. Há dinheiro o suficiente para fazer o ético e o antiético, o moral e o imoral. De todo modo, custa caro fazer democracia. Se bem empregada, essa grana faz muito bem para o país.

Raros, porém notáveis, são os casos de candidatos razoáveis.

Dessa estirpe somente sobrevivem os que têm o fortíssimo traço do carisma – algo que pode se confundir com a própria inteligência relacional. É gente que trafega, entra em portas abertas, mantém os próprios acessos disponíveis. Raríssimos, a bem da verdade. Valem, sozinhos, bancadas inteiras.

De resto, esperamos por promessas miúdas das elites políticas, e dos líderes emergentes.

Os primeiros negociavam com concessões públicas, cartórios, visitas guiadas pelos gabinetes. Hoje, perderam um pouco do poder que tinham sobre a coisa pública. Mas gozam de prestígio entre seus eleitores, dada a altíssima qualidade da relação paternal que estabelecem.

Já os emergentes são os que têm acesso ao dinheiro que compra imagem pública (mesmo que às vezes o caixa eletrônico seja a máquina pública). Quando não dinheiro, sim escândalo. Daí vem a enxurrada de neurose, psicose e perversão do candidato brasileiro. É preciso ser diferenciado, nem que seja prometendo uma nova ponte. “Mas, candidato, aqui não tem rio”. Então ele promete um novo rio também.

É apropriado arrematar com o seguinte: herdeiros de impérios políticos, empresários, e sertanejos de sucesso, ou fundamentalistas religiosos, impressionam por suas conquistas, mas nos preocupam pela consequência social de suas campanhas e gestões no longo prazo. Mas eles podem surpreender com algo que seja – nem que seja só um pouquinho – melhor. Uma campanha mais organizada (organizada no sentido de dinheiro bem empregado), e honesta (honesta no sentido de reconhecer as limitações da política) é bem-vinda.

Diferentemente do que o marketing político antigo exige dos candidatos (que é partir para a disputa de visibilidade a qualquer custo), minha proposta é a de uma profunda introspecção antes das eleições. Isso poderia manter o funcionamento do candidato, e de sua família, na passagem do furacão eleitoral.

Última atualização
23/1/2024 18:15
Vinícius Sgarbe
Jornalista, analista transacional, e pesquisador.

'Memórias de chá', novo livro do CIS, ganha vida com homenagens e relatos

'Memórias de chá', novo livro do CIS, ganha vida com homenagens e relatos

Jane Hir
20/4/2024 9:27

Já faz algum tempo (acredito que esse seja um presente do envelhecimento) que venho aprendendo a saborear os momentos vividos. É como se relesse com atenção uma parte da história que ainda estou construindo.

Há duas semanas, escrevi sobre a apresentação do livro Memórias de chá, escrito pelas educandas do Centro de Integração Social (CIS). Nesse evento, uma cena se destaca entre as minhas lembranças: a diretora da unidade presta uma linda homenagem ao seu pai para representar, naquele momento, o leitor.

Pateta no trânsito: reflexões sobre raiva e autocontrole

Controlar o 'Pateta interno' pode transformar sua condução

Carolina Schmitz da Silva
20/4/2024 9:08

Na minha infância, lembro-me de assistir ao filme do Pateta no trânsito, uma animação da Disney na qual ele se transforma em uma pessoa raivosa ao dirigir. Aquela mudança de humor ao entrar em um carro me impressionava profundamente.

Agora, como adulta, vejo-me controlando meu Pateta interno e, em alguns momentos, percebo sua força crescer enquanto dirijo. Tendo consciência de quando ele domina, reconheço quão inadequado ele é.

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