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Opinião

Abelhas focam em possibilidades e cooperação, enquanto moscas são obstinadas por dejetos

Explore a metáfora de abelhas e moscas na vida humana, e a importância de uma visão positiva para a cooperação e crescimento coletivo.Explore a metáfora de abelhas e moscas na vida humana, e a importância de uma visão positiva para a cooperação e crescimento coletivo.
Vinícius Sgarbe
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Adobe Firefly
Maku de Almeida
5/11/2023 15:09

<span class="abre-texto">Uma abelha observa maravilhada</span> as possibilidades que um roseiral lhe apresenta: flores e o néctar que, colhido, entra no circuito colaborativo da produção de mel. Viver entre seres humanos e, principalmente, trabalhar com eles exige esse olhar de abelha. Desde o início, nos primeiros olhares, nos primeiros diálogos, surgem possibilidades e alternativas. O foco é um só: as possibilidades.

Entretanto, convivemos em um mundo onde proliferam os olhares de mosca. Embora natural para a mosca, o foco no esterco representa para os humanos um padrão destrutivo. Esse olhar seleciona meticulosamente os aspectos construtivos, para em seguida descartá-los, enfatizando a destruição e a decomposição moral e humanística. Com um viés contaminado, obsessão por defeitos, perversões e ruínas se instala.

Neste momento, manifesto solidariedade à mosca, pedindo desculpas pelo uso indelicado de sua estratégia de sobrevivência como metáfora. Feita a reparação, prosseguimos, aproveitando para lembrar ao leitor que o mesmo se aplica à abelha: trata-se apenas de uma (excelente) metáfora.

Quem adota o olhar das abelhas encontra alicerces para iniciativas construtivas. Valoriza as cores, a beleza, a abundância de recursos disponíveis para a coletividade – recursos que, coletados, são compartilhados com o grupo, o qual, por sua vez, executa as ações necessárias.

Ao avaliar a realidade objetivamente, está-se apto a expandir a visão a cada saída a campo. Aliás, é essencial expandir o horizonte, o que pode significar o acesso a mais e melhores recursos. Observa-se de uma perspectiva ampla, planeja-se, estrategia-se e executa-se a coleta.

Os seres com o olhar de abelha se destacam por compartilharem direções e recursos. Quando olham de maneira construtiva, não sentem a necessidade de reter tudo para si. Compreendem que, além do horizonte, há mais a ser descoberto. Ao agir positivamente, sobra-lhes escasso tempo para criticar ações alheias.

Por outro lado, aqueles que cultivam o olhar de mosca especializam-se em identificar falhas, defeitos, problemas e intenções duvidosas. Ou seja, fixam-se nos detritos da existência. Semelhantes a engenheiros de estruturas já concluídas e descontentes com suas vidas, focam-se em averiguar na vida alheia o que julgam ser a "normalidade".

Vestindo muitas vezes a luz e a cor de sombras, transformam possibilidades em obstáculos, tentativas em prejuízos. Com o olhar deteriorado pelo cotidiano, e cabeças inclinadas focadas no chão, irritam-se ao ver os seres com o olhar de abelha realizando inúmeros projetos, festejando.

Creio que muitos seres com o olhar de abelha, após serem alvo dos seres com o olhar de mosca, desistiram. Perderam o brilho, a melodia, a alegria. Seguem uma trajetória incolor. Pobres seres mosca! Isolados, conformados e silenciosos. Desanimados, esquecem-se das demais possibilidades e se habituam a uma jornada restrita.

O pescoço, acostumado a inclinar-se para o chão, perde a flexibilidade, não permitindo mais a contemplação do horizonte e, em um esforço de sobrevivência, rejeita-o. O olfato, habituado ao fétido, já não distingue os aromas aprazíveis, privando-se dos prazeres simples de encontros e refeições. Os seres mosca, exasperados, anseiam por destruir. E destroem. Desejam que o mundo espelhe sua visão distorcida.

Defendo que não devemos desistir nem perder o olhar de admiração. Necessitamos ser compassivos, respeitar a dor dos olhares mosca, mas não nos deixar subjugar por eles.

Última atualização
14/11/2023 10:17
Maku de Almeida
Analista transacional. Escreve aos domingos.

'Memórias de chá', novo livro do CIS, ganha vida com homenagens e relatos

'Memórias de chá', novo livro do CIS, ganha vida com homenagens e relatos

Jane Hir
20/4/2024 9:27

Já faz algum tempo (acredito que esse seja um presente do envelhecimento) que venho aprendendo a saborear os momentos vividos. É como se relesse com atenção uma parte da história que ainda estou construindo.

Há duas semanas, escrevi sobre a apresentação do livro Memórias de chá, escrito pelas educandas do Centro de Integração Social (CIS). Nesse evento, uma cena se destaca entre as minhas lembranças: a diretora da unidade presta uma linda homenagem ao seu pai para representar, naquele momento, o leitor.

Pateta no trânsito: reflexões sobre raiva e autocontrole

Controlar o 'Pateta interno' pode transformar sua condução

Carolina Schmitz da Silva
20/4/2024 9:08

Na minha infância, lembro-me de assistir ao filme do Pateta no trânsito, uma animação da Disney na qual ele se transforma em uma pessoa raivosa ao dirigir. Aquela mudança de humor ao entrar em um carro me impressionava profundamente.

Agora, como adulta, vejo-me controlando meu Pateta interno e, em alguns momentos, percebo sua força crescer enquanto dirijo. Tendo consciência de quando ele domina, reconheço quão inadequado ele é.

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