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Opinião

Novos tempos, velhas práticas

Artigo de Simone Peruzzo. Eleições no Conselho de Enfermagem do Paraná são questionadas por falta de transparência.Artigo de Simone Peruzzo. Eleições no Conselho de Enfermagem do Paraná são questionadas por falta de transparência.
Vinícius Sgarbe
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Adobe Firefly
Simone Peruzzo
13/7/2023 17:59

<span class="abre-texto">Nos meus quarenta</span> anos de atuação profissional vivenciei altos e baixos na vida pública e privada. A luta de sindicatos, associação científica, nossos professores e lideranças nos anos 80 sinalizavam que a condução da nossa autarquia federal na época era no mínimo equivocada. Aquilo que muitos dos colegas da categoria consideravam “ruído” entre a Aben e Cofen se demonstrou com o passar do tempo um movimento antidemocrático que primava em dificultar a participação dos inscritos no processo eleitoral dos regionais e federal de forma que sempre o mesmo grupo se mantivesse no poder.

Na época sequer sabíamos quando aconteceria o processo eleitoral, pois a publicização ocorria somente por meio do Edital publicado no Diário Oficial da União, bem como as regras do Código Eleitoral em nada colaboravam para que novos colegas se somassem à experiência dos colegas da autarquia, visando a formação de novas lideranças.

Tal estratégia gerou de maneira expressiva a prática da intervenção nos conselhos, ou seja, o grupo ganhava a eleição, mas não levava, e por conta disso a autarquia federal nomeava profissionais da confiança dele para dirigir os regionais. O Paraná foi um dos últimos estados a sofrer a intervenção. A permanência do mesmo grupo na autarquia federal e regional por décadas gerou o afastamento da categoria, descrédito dos inscritos, serviços de saúde, autoridades, espaços políticos, bem como das entidades de classe e sindicatos que discordavam frontalmente com a condução da autarquia e, sempre que possível, denunciavam em espaços próprios a prática antidemocrática adotada pelo sistema.

As denúncias de irregularidades de desvio de verbas (cerca de R$ 100 milhões), apropriação de bens, falsificação de documentos e de manipulação das eleições no sistema aconteciam desde 1993. A partir de 1999 a categoria passou aguardar o julgamento relativo ao homicídio covarde do casal de enfermeiros e lideranças Edma Valadão (presidente do Sindicatos dos Enfermeiros no Rio de Janeiro) e Marcos Otavio Valadão (presidente da Seção Aben do mesmo estado), responsáveis pela formalização das denúncias contra o sistema junto à Polícia Federal e assassinados a caminho da 3° Conferência Estadual de Saúde no Rio. O julgamento dos assassinatos de Edma e Marcos Otavio Valadão foi agendado somente em 2022.

Somente em 2005, a Operação Predador ocorrida no Rio de Janeiro, sede da autarquia federal, levou a julgamento o Sr. Gilberto Linhares (ex-presidente), sua esposa e mais 15 envolvidos. Em abril de 2006, especificamente, o ex-presidente do Cofen foi condenado a 19 anos 8 meses de prisão. Em 2007, o Sr. Gilberto Linhares foi beneficiado pela decisão da 5° Turma do Supremo Tribunal de Justiça (STJ) que anulou os laudos dos peritos da PF beneficiando o condenado.

Em 2007, movimentos democráticos proativos exercidos por lideranças da enfermagem reaproximam nossas entidades de classe, autarquia e sindicatos. De lá para cá muita coisa mudou e outras certamente precisam mudar, pois o processo pede dinamicidade.

Meu envolvimento com as questões que afetavam diretamente a categoria se consolida durante todo este movimento que direta ou indiretamente tive a ousadia e honra de participar. Qual minha surpresa ao me deparar que em pleno século XXI, ano de 2023, o direito de participação do processo eleitoral no Paraná está sendo cerceado de maneira grotesca, ou melhor, de forma desqualificada e irresponsável, no qual a postura adotada pela atual Comissão Eleitoral fere o Código de Ética, bem como o novo Código Eleitoral.

Inaceitável que em novos tempos as velhas práticas retornem, especificamente, a manutenção do poder a qualquer custo. Esclareço que como inscrita remida do conselho não encontrei em nenhum momento de forma ampla, acadêmica e irrestrita as devidas informações relativas ao processo eleitoral do corrente ano.

A falta de isonomia no tratamento com os documentos exigidos pelo Código Eleitoral apresentados pelas chapas inscritas é simplesmente vergonhosa, humilhante e descabida. Toda negativa considerada pela atual Comissão Eleitoral para as duas outras chapas concorrentes inscritas foi desconsiderada pela mesma Comissão que beneficiou somente a Chapa 1 que tem entre seus membros a atual presidente, o primeiro secretário e três conselheiros.

Na sexta feira, 7 de julho, recursos impetrados pelos representantes das Chapa II e Chapa III deveriam ter sido julgados pela Plenária do Coren Paraná. A estratégia adotada pelo grupo foi gerar a falta de quórum de forma a demostrar a incapacidade de julgamento dos atuais conselheiros e assim remeter tal processo para análise e parecer do Conselho Federal.

Simplesmente inaceitável que o estado do Paraná, que está entre os cinco maiores conselhos regionais de enfermagem, e, em pleno 2023, tenha chapa única, composta pelos mesmos profissionais que demostram sistematicamente a falta de preparo para os cargos assumidos.

Enfermagem do Paraná, atualize sua carteira profissional, acompanhe e participe das eleições de 2023.

Juntos somos mais fortes, bem como nossas demandas não são e nunca foram somente salariais.

Última atualização
20/7/2023 10:30
Simone Peruzzo
Enfermeira do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná. Foi presidente do Conselho Regional de Enfermagem do Paraná entre 2015 e 2020; presidente da Associação Brasileira de Enfermagem – Seção Paraná entre 2001 e 2007; presidente do Conselho Municipal de Curitiba entre 2003 e 2007.

'Memórias de chá', novo livro do CIS, ganha vida com homenagens e relatos

'Memórias de chá', novo livro do CIS, ganha vida com homenagens e relatos

Jane Hir
20/4/2024 9:27

Já faz algum tempo (acredito que esse seja um presente do envelhecimento) que venho aprendendo a saborear os momentos vividos. É como se relesse com atenção uma parte da história que ainda estou construindo.

Há duas semanas, escrevi sobre a apresentação do livro Memórias de chá, escrito pelas educandas do Centro de Integração Social (CIS). Nesse evento, uma cena se destaca entre as minhas lembranças: a diretora da unidade presta uma linda homenagem ao seu pai para representar, naquele momento, o leitor.

Pateta no trânsito: reflexões sobre raiva e autocontrole

Controlar o 'Pateta interno' pode transformar sua condução

Carolina Schmitz da Silva
20/4/2024 9:08

Na minha infância, lembro-me de assistir ao filme do Pateta no trânsito, uma animação da Disney na qual ele se transforma em uma pessoa raivosa ao dirigir. Aquela mudança de humor ao entrar em um carro me impressionava profundamente.

Agora, como adulta, vejo-me controlando meu Pateta interno e, em alguns momentos, percebo sua força crescer enquanto dirijo. Tendo consciência de quando ele domina, reconheço quão inadequado ele é.

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