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Opinião

À espera de um milagre, Moro escreve sobre 'censura' para negar sua 'morte prematura'

 Sergio Moro, senador em risco de perder o mandato, elogia Mark Twain em artigo. Críticas apontam sua possível adesão ao espírito do caos. Sergio Moro, senador em risco de perder o mandato, elogia Mark Twain em artigo. Críticas apontam sua possível adesão ao espírito do caos.
Arte Cidade Capital
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Intelligentsia
24/7/2023 10:35

<span class="abre-texto">O senador em via de perder</span> o mandato Sergio Moro (União Brasil) usou a metade de seu artigo de opinião publicado pelo site de notícias bolsonaristas Gazeta do Povo para afirmar que Mark Twain foi um dos maiores escritores de todos os tempos. É sabido nacionalmente que Moro não é adepto da literatura, o que se evidenciou em uma entrevista que deu ao jornalista Pedro Bial. Naquela ocasião, o então líder da Lava Jato disse que gostava biografias, mas que não lembrava qual tinha sido a última que tinha lido.

Vou usar a metade desta nota para comentar essa preferência no mínimo duvidosa do senador por um escritor que está longe de ser "um dos maiores escritores de todos os tempos" (pelo menos na comparação com os maiores escritores do mundo). Pergunto-me sobre dois caminhos de interpretação possíveis. Um. Sergio Moro é um legítimo ignorante? Dois. Sergio Moro aderiu de corpo e alma ao espírito esdrúxulo de causar confusão no palco público?

O fato é que o artigo de Moro traz somente uma novidade, a de que agora ele se junta aos comparsas do caos para propalar que o Brasil está sob censura. Ontem, em um almoço de família, uma senhora me perguntou se o país tinha liberdade o suficiente para a expressão de ideias. Respondi que o colar que ela estava usando era roubado. Depois de atiçar a curiosidade, expliquei que não se pode dialogar com o crime. Opinião não é crime. Calúnia e difamação, sim. E que meu comportamento de acusá-la de ladra tinha, sim, de ser coibido. Ela parece ter ficado satisfeita com a resposta.

Moro pode não ser um espião dos Estados Unidos, como acreditam conspiracionistas de esquerda, não deve ser. Mas a mentalidade dele é contaminada por um comportamento que varia entre a baixeza de um programa policial local, na ideia de "colocar os bandidos atrás das grades", e a megalomania estadunidense de ser a polícia do mundo. Em última instância, pergunto também: o que o Brasil tem a ver com as ditaduras do mundo? É para a gente fazer guerra com esse pessoal?

Eu não queria, você não queria, Moro não queria, estar na pele do ex-juiz da Lava Jato. Tal qual um soberano primitivo, ele foi adorado pelo pelo povo antes de ser desprezado e tratado como inimigo. O presidente que tinha ajudado a eleger, Jair Messias Bolsonaro (PL), deu as vagas no Supremo Tribunal Federal para dois homens até então desconhecidos.

O promotor cupincha da Lava Jato, Deltan Dallagnol (Podemos), teve uma votação recorde para a Câmara dos Deputados, mas foi cassado. A resposta das ruas, que seria, digamos, muito bem-vinda, simplesmente não veio. As cenas ridículas do desfile de Dallagnol pelo Centro Cívico a mim causaram dó. Eu não gosto de ver políticos e bandidos serem submetidos a humilhações públicas. O que será da cassação iminente do eminente Moro não sabemos.

Última atualização
18/8/2023 14:53

'Memórias de chá', novo livro do CIS, ganha vida com homenagens e relatos

'Memórias de chá', novo livro do CIS, ganha vida com homenagens e relatos

Jane Hir
20/4/2024 9:27

Já faz algum tempo (acredito que esse seja um presente do envelhecimento) que venho aprendendo a saborear os momentos vividos. É como se relesse com atenção uma parte da história que ainda estou construindo.

Há duas semanas, escrevi sobre a apresentação do livro Memórias de chá, escrito pelas educandas do Centro de Integração Social (CIS). Nesse evento, uma cena se destaca entre as minhas lembranças: a diretora da unidade presta uma linda homenagem ao seu pai para representar, naquele momento, o leitor.

Pateta no trânsito: reflexões sobre raiva e autocontrole

Controlar o 'Pateta interno' pode transformar sua condução

Carolina Schmitz da Silva
20/4/2024 9:08

Na minha infância, lembro-me de assistir ao filme do Pateta no trânsito, uma animação da Disney na qual ele se transforma em uma pessoa raivosa ao dirigir. Aquela mudança de humor ao entrar em um carro me impressionava profundamente.

Agora, como adulta, vejo-me controlando meu Pateta interno e, em alguns momentos, percebo sua força crescer enquanto dirijo. Tendo consciência de quando ele domina, reconheço quão inadequado ele é.

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